10. CULTURA 21.11.12

1. CINEMA - A PRIMEIRA VEZ DE ANGELINA JOLIE
2. EXPOSIO - A CARA DO MODERNISMO
3. MSICA - SAMBISTA CAMISA DEZ
4. EM CARTAZ  LIVROS - CORPO E ALMA
5. EM CARTAZ  ARTE - CINEASTA DESENHISTA
6. EM CARTAZ  CINEMA - BASEADO EM FATOS REAIS
7. EM CARTAZ  MSICA - MATURIDADE ROQUEIRA
8. EM CARTAZ  ESPETCULO - DANA ENTRE IRMS
9. EM CARTAZ  AGENDA - CONSCINCIA NEGRA/KISS/MOSTRA NOLLYWOOD
10. ARTES VISUAIS - A PSICOLOGIA DA ARQUITETURA

1. CINEMA - A PRIMEIRA VEZ DE ANGELINA JOLIE
A atriz estreia como roteirista e diretora em "Na Terra de Amor e dio", filme ambientado na Guerra da Bsnia
Marcos Diego Nogueira

ARTE ENGAJADA - Atriz respeitada e embaixadora da ONU, Angelina abordou um assunto que a incomodava desde a juventude
 
"Brad pegou na minha mo e disse: est tudo bem, amor, fique tranquila."  assim que Angelina Jolie descreve a reao do marido, o ator Brad Pitt, ao assistir Na Terra de Amor e dio, que estreia no Brasil na sexta-feira 23. Segundo a prpria atriz, em entrevista por ocasio do lanamento do seu primeiro filme de fico como diretora e roteirista, o marido se preocupou para eu no passar mal por estar apresentando meu filme pela primeira vez, ainda mais  famlia".
 
A estreia  ousada. So poucos os diretores que arriscam comear sua carreira com um tema impactante tal como fez Angelina ao abordar a Guerra na Bsnia. Tentei fazer um filme tradicional, com bons atores e personagens, mas  impossvel suavizar os acontecimentos desse tipo de guerra, diz a estreante, que tinha 17 anos de idade quando comearam os primeiros ataques contra muulmanos no leste daquele pas. Era o prenncio daquilo que se tornaria o mais longo conflito na Europa ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial  o confronto comeou em abril de 1992 e terminou em dezembro de 1995. Naquela poca, ela no sabia com exatido o que acontecia na Europa, mas carregou ao longo dos anos a sensao de que algo poderia ter sido feito para que se evitasse a morte de milhares de inocentes e o estupro de 50 mil mulheres. Angelina cresceu, tornou-se atriz das mais respeitadas e embaixadora da ONU, e resolveu estrear como roteirista e diretora de fico aos 37 anos contando uma histria de amor entre os lados dessa guerra.

Eu me lembro de ter me sentido culpada e responsvel por no ter feito nada a respeito na poca, diz ela. No filme, Ajla (Zana Marjanovic) e Danijel (Goran Kostic) esto em lados opostos nessa batalha entre os servos e os no servos (Ajla  muulmana) e, enquanto a tragdia vai tomando cada vez mais espaos em suas vidas, o relacionamento entre eles se modifica. Essas mudanas conduzem o espectador. 
 
Angelina, porm, no se aventurou sozinha nessa empreitada e contou com ajuda para aperfeioar seus conhecimentos de direo. Os atores, que viveram o conflito na pele, deram-lhe dicas para aumentar a veracidade das cenas. Constantemente eu perguntava a eles: Isso parece certo? Foi assim que o filho do seu vizinho morreu?, diz Angelina, que carregou para o set de filmagens tambm a sabedoria de quem foi dirigida por grandes mestres. Clint Eastwood me ensinou sobre ter uma equipe de pessoas que eu respeitasse e todos se tratassem bem e sem dramas, diz ela, que, a considerar a estreia com p direito, soube escutar seus mestres.


2. EXPOSIO - A CARA DO MODERNISMO
Mrio de Andrade, o escritor que desenhou com as palavras o projeto mais ousado da cultura brasileira, foi contemplado por consagrados artistas em mais de 40 telas
Laura Daudn

Foi com absoluta sinceridade que Mrio de Andrade justificou sua preferncia: O do Portinari  mais certo, porque  o que eu gosto. Ele se referia ao retrato de si pintado por Cndido Portinari, diante de outro, feito por Lasar Segall. Tal referncia consta de uma carta enviada  escritora Henriqueta Lisboa em 1941. Dessa anlise, to simples quanto improvvel para um dos mais importantes crticos de arte do Pas, depreende-se um Mrio de Andrade humano, inseguro, egocntrico e, sobretudo, profundamente preocupado com sua imagem  uma angstia que explicaria, em parte, sua coleo de 40 telas que o retratam, produzidas pelos mais talentosos artistas  entre eles, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.
 
Ele tinha uma tremenda conscincia da importncia de sua obra para a literatura e cultura brasileiras, diz Pedro Meira Monteiro, professor de literatura latino-americana da Universidade de Princeton, nos EUA. Se a isso se chamar vaidade, ento v l, ele era vaidoso. Essa maneira at espontnea demais com que Mrio de Andrade imprimia suas opinies  uma constante nas quase duas mil cartas que ele compartilhou com seus colegas modernistas  um mosaico homogneo no qual ele revela sua vontade de desenvolver uma cena cultural genuinamente brasileira e, em especial, de se tornar a cara desse emergente movimento.
 
Para cumprir esse objetivo, Mrio se empenhou com afinco em apadrinhar artistas por vezes inconstantes, como foi o caso da amiga Anita Malfatti, que acabou retrocedendo a uma espcie de classicismo e nunca cedeu s presses do crtico. Em seus textos, ele batia o p para que o grupo permanecesse fiel s bases assentadas na Semana de Arte Moderna de 1922.
 
As cartas contam as mesmas ideias de brasilidade de maneira diferente para cada um dos destinatrios, diz Denise Mattar, curadora da exposio Cartas do Modernismo, que fica em cartaz no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 de novembro e 6 de janeiro. O tom da correspondncia para Anita Malfatti  sempre carinhoso. O tom das cartas para a Tarsila, por outro lado,  totalmente apaixonado, muito potico e emocional, diz Denise.
 
Para o professor Meira Monteiro, tal atitude era premeditada:  o caso estranho, interessante, de algum que escrevia para outra pessoa sabendo que escrevia para a posteridade. Curioso pensar que, em respeito a sua vontade, sua correspondncia s foi aberta e publicada 50 anos depois de sua morte, em 1995. Nesses documentos, que so de inestimvel valor para o estudo das artes plsticas brasileiras e tm vindo  tona em forma de incontveis recopilaes, o escritor que chamava Portinari de amico mio e descrevia Segall como russo complexo e bom judeu mstico prova que sua grande obra, seu autorretrato mais perfeito, no podia ser outra que o prprio conjunto da arte moderna brasileira.


3. MSICA - SAMBISTA CAMISA DEZ
Sempre acompanhado de craques da msica, o cantor e compositor Carlinhos Vergueiro mostra seu gingado no samba e no futebol em seu novo lbum, "Vida Sonhada"
Marcos Diego Nogueira

JOVEM SENHOR - Aos 60 anos, Carlinhos Vergueiro fala de amor, tempo, vida, sonhos e planos para o futuro
 
Nelson Cavaquinho, em seu samba intitulado Rugas, cantava: Se eu for pensar muito na vida, morro cedo, amor.  com tal ensinamento de Nelson, um dos parceiros mais ilustres de sua carreira, que o cantor e compositor Carlinhos Vergueiro vive seus 60 anos de idade. Com novo disco na praa,Vida Sonhada, o primeiro de composies inditas em nove anos, ele s para de pensar em msica quando est jogando futebol  fato que acontece religiosamente trs vezes por semana. Costumo dizer que desde que nasci eu fao samba e jogo bola, disse o compositor  ISTO.
 
Parceiro, ao longo de sua carreira iniciada em 1973, de uma interminvel lista de celebridades do samba, como Joo Nogueira, Paulo Vanzolini, Cartola e Chico Buarque, Vergueiro manteve a jovialidade dos 20 anos de idade, como gosta de dizer, ao escolher com quem trabalhar em seu novo CD, priorizando pessoas com quem conviveu no incio da vida artstica. A comear pelo produtor musical Alosio Falco, que o ajudou em diversas decises, entre elas a escolha de repertrio. Tivemos o mesmo problema que um bom tcnico de futebol gosta de ter quando possui muitos bons jogadores, que  o de selecionar quais sero titulares. Para eleger as canes que entrariam no disco foi a mesma coisa, diz ele, cotejando novamente o samba e o futebol. No final, percebi que as dez msicas criam uma unidade falando de amor, tempo, vida e sonhos.

Outra convocao que veio do tempo em que venceu o Festival Abertura, da Rede Globo, em 1975: J. Petrolino, seu primeiro parceiro. A dupla assina metade do disco. Como talento  o que no falta  sua famlia, as composies Sem Refro e Passa Amanh contam com versos de sua filha, Dora Vergueiro. Ela  minha mais nova parceira, diz o sambista, que se dedicou  parte musical e deixou para os outros a misso de colocar letras. O jeito de compor varia muito, mas este disco funcionou desta forma, eu fazendo melodias e os parceiros os versos. 
 
Paulista que mora no Rio de Janeiro e amigo de tantos bambas das duas cidades, como ele definiria seu samba cheio de classe e gingado? Costumo dizer que sou paulioca, ou seja, metade de cada, diz o torcedor simultneo do So Paulo e do Fluminense. No sei definir o meu estilo, gosto  de msica boa. Como disse Adoniran Barbosa: Samba  samba. Assim vive e trabalha Carlinhos Vergueiro com a tranquilidade de um artilheiro que dribla o goleiro e fica na cara do gol.


4. EM CARTAZ  LIVROS - CORPO E ALMA
por Marcos Diego Nogueira
O nmero exagerado de livros sobre os The Beatles pode fazer com que obras relevantes como A Batalha pela Alma dos Beatles (Ed. Nossa Cultura) passem despercebidas. O autor Peter Doggett, jornalista das principais publicaes sobre o assunto na Inglaterra, esmiuou a vida dos quatro rapazes de Liverpool a partir de 1970, ano em que o grupo de desfez, para mostrar que, mesmo separados, John, George, Paul e Ringo nunca conseguiram desassociar suas vidas da maior banda de rock de todos os tempos. Isso implica at hoje complicadas amarras financeiras por conta da Apple Corps  empresa aberta por eles ainda na dcada de 1960  e danos  integridade fsica dos msicos, como aconteceu no assassinato de Lennon e no ataque  casa de George dois anos antes de sua morte.

+ 5 LIVROS SOBRE MSICA
EARLY STONES (FOTO)
 Registros dos primeiros anos dos Rolling Stones, que completam cinco dcadas de existncia
 
LADY SINGS THE BLUES
 A cantora Billie Holiday conta em autobiografia detalhes sobre sua infncia conturbada e a vida de exageros no showbiz que a fizeram morrer na misria
 
MATE-ME POR FAVOR
 A histria do movimento punk contada por personagens que o vivenciaram
 
LUZ E SOMBRA
 Entrevistas com Jimmy Page traam um perfil da obra do guitarrista e compositor do Led Zeppelin
 
EIS aqui OS BOSSA-NOVA
 Um passeio pelo estilo a partir do ponto de vista de msicos como Joo Gilberto, Tom Jobim e Carlos Lyra


5. EM CARTAZ  ARTE - CINEASTA DESENHISTA
por Marcos Diego Nogueira
O artista sul-africano William Kentridge ganha a sua primeira grande exposio na Amrica do Sul. A mostra William Kentridge: Fortuna (Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, at 17/02) rene a produo do artista entre 1989 e 2012. A srie de curta-metragens Drawing for Projection, que o tornou clebre, ser exibida em conjunto pela primeira vez, acompanhada por desenhos feitos enquanto preparava os filmes. Dessa forma, ser possvel avaliar a multiplicidade de seu trabalho.


6. EM CARTAZ  CINEMA - BASEADO EM FATOS REAIS 
por Marcos Diego Nogueira
A diretora Juliana Reis escolheu um caso real acontecido com um amigo para filmar seu primeiro longa-metragem. Disparos, que estreia sexta-feira 23, conta como o fotgrafo Henrique (Gustavo Machado) se envolveu em uma confuso com a Justia aps ter seu equipamento de trabalho roubado no trnsito, mas recuperado aps o assaltante ter sido atropelado. O fato de no o ter socorrido o coloca em uma situao em que  vtima, cmplice e testemunha, ficando nas mos do impiedoso inspetor Freire (Caco Ciocler).  


7. EM CARTAZ  MSICA - MATURIDADE ROQUEIRA
por Marcos Diego Nogueira
Grupos de rock que passam muito tempo separados tendem a decepcionar o pblico em seus trabalhos de volta. O Soundgarden, cone da famosa Seattle dos anos 1990, retorna ao registro fonogrfico aps 16 anos na tentativa de quebrar esse estigma. E obtm xito. Liderada pelo cantor Chris Cornell, a banda revisita a sonoridade que lhe deu sucesso no passado, mas sem negar a maturidade  musical e tambm de idade. Afinal, todos j esto prximos dos 50 anos.  


8. EM CARTAZ  ESPETCULO - DANA ENTRE IRMS
"Camlia" 
por Marcos Diego Nogueira
Artista plstica brasileira de grande projeo internacional, Beatriz Milhazes se aventura em um universo diferente ao assinar o cenrio do espetculo de dana Camlia (Sesc Copacabana, Rio de Janeiro, at 25/11). Dirigida e coreografada por sua irm, Mrcia, a apresentao conta com trs bailarinos que misturam bal contemporneo com msica erudita brasileira, e  dividida em trs blocos, com solos, duos e trios. J o colorido ambiente de 13 metros de extenso montado por Beatriz pode ser visitado pelo pblico antes das sesses.  


9. EM CARTAZ  AGENDA - CONSCINCIA NEGRA/KISS/MOSTRA NOLLYWOOD 
Conhea os destaques da semana
por Marcos Diego Nogueira

CONSCINCIA NEGRA
 (Museu Afro Brasil, So Paulo, a partir de 20/11) 
Trs exposies celebram a presena dos criadores negros brasileiros nas artes
 
KISS
 (Porto Alegre, So Paulo e Rio de Janeiro, 14, 17 e 18/11) 
O quarteto maquiado divulga seu novo disco Monster em turn pelo Brasil
 
MOSTRA NOLLYWOOD
 (Caixa Cultural, Rio de Janeiro, at 18/11)
Mostra celebra, com 12 filmes inditos, os 20 anos da Hollywood nigeriana  


10. ARTES VISUAIS - A PSICOLOGIA DA ARQUITETURA
A alem Candida Hfer, fotgrafa dos grandes espaos desabitados, mostra em So Paulo seus retratos de prdios histricos e contemporneos
Nina Gazire

CANDIDA HFER  LUZ, LINHAS, LUGARES/ Galeria Leme, SP/ de 21/11 a 22/12

DO BARROCO - Fotografia do Curvillis Theater de Munique feita por Candida Hfer em 2009
 
A artista alem Candida Hfer esteve no Brasil pela primeira vez em 2005, a convite do Instituto Goethe. Conhecida por fotografar estruturas arquitetnicas, naquele ano ela realizou uma srie de imagens de edifcios do perodo colonial do Rio de Janeiro e de Salvador, alm de fotografar a modernista Braslia. O resultado do trabalho foi a publicao Brazil Series, que apresentava imagens relativas aos edifcios histricos do Rio e da Bahia, entre eles a Igreja de So Francisco de Assis, na capital baiana, e o Teatro Municipal do Rio.
 
Aps sete anos da realizao desse trabalho, Candida Hfer rene, em um recorte curatorial indito, imagens realizadas no Pas e em outros locais do mundo, na mostra Luz, Linhas e Lugares, em cartaz na Galeria Leme a partir de quinta-feira 22, em So Paulo. A exposio apresenta 11 trabalhos, quatro deles de grandes dimenses com cerca de 1,80 m de altura. Em ambientes desprovidos da presena humana,  possvel perceber o rigor formal atingido pela fotgrafa, caso por exemplo da foto do Cuvillis Theater, em Munique, Alemanha. De caracterstica Rococ, o teatro tem sua estrutura rebuscada organizada pelo geometrismo com que Hfer trabalha.

AO MODERNO - Teatro Nacional  uma das fotos da srie que Hfer realizou em Braslia
 
Aluna de Bernd Becher, o maior nome da fotografia conceitual alem, na Academia de Artes de Dsseldorf, Candida Hfer , ao lado de Andreas Gursky, Thomas Ruff e Thomas Struth, uma das maiores representantes da nova objetividade, escola da fotografia contempornea alem. De sua formao, guardou uma pesquisa esttica que busca apresentar uma psicologia social da arquitetura.
 
A artista comeou sua carreira nos anos 1980, fotografando cenas cotidianas, mas na dcada seguinte passou a se dedicar aos grandes espaos desabitados. A luz, afirma ela,  sempre a primeira coisa que a atrai em um espao. A luz tropical, em incidncia nos amplos espaos da arquitetura brasileira, predomina nas seis fotografias que realizou em Braslia. As fotos mostram o interior do Congresso Nacional, do Palcio do Planalto e do Palcio do Itamaraty. Neste ltimo, em vez de destacar a perspectiva curvilnea, que costuma predominar nos olhares dedicados  arquitetura modernista de Niemeyer, a nfase  colocada na iluminao natural do edifcio. J foto do palco e da plateia do Teatro Nacional atenta para o rigor de suas linhas de fuga e simetrias. Apesar da monumentalidade dessas construes, a fotgrafa decidiu represent-las em pequeno formato. Esse formato foi deliberadamente escolhido por causa do contedo das imagens, que para mim enfatizam uma intimidade imprevisvel em um lugar como Braslia, diz Candida Hfer para ISTO.
 
BATE-PAPO
 Confira abaixo a entrevista realizada com uma das mais importantes fotgrafas da atualidade, a alem Candida Hfer:
 
Isto-Qual foi o critrio curatorial usado para escolher os trabalhos da mostra Luz, Linhas e Lugares? Por que voc decidiu mostrar junto ambientes to diferenciados como o Teatro de Munique e a igreja de So Francisco na Bahia?
 
Candida Hfer: Para mim, montar uma exposio  como escrever um livro, exceto que o que mostro no  uma seqncia de imagens separada por pginas. A diferena  que no caso de uma mostra, os visitantes tero uma viso compreensiva e abstrata de muitas imagens diferentes colocadas em um mesmo espao. O importante ento  criar a impresso de que as imagens esto relacionadas entre si de alguma maneira. Essa sensao  de extrema importncia para mim por que ela provoca no observador uma curiosidade sobre os detalhes da imagem.
 
Isto-Em 2005, voc veio ao Brasil, convidada pelo Goethe Institut, para fazer uma srie de imagens da arquitetura colonial brasileira. Geralmente suas fotos mostram as linhas perspectivas de um ambiente, mas nesse caso voc teve que lidar com ambientes mais rebuscados como o  da arquitetura barroca de Salvador. Qual foi o seu desafio para realizar as fotografias das igrejas coloniais brasileiras?
 
Hfer-Essa  uma observao interessante. Sim, eu fiquei surpreendida porque, geralmente, minha abordagem mais purista da linearidade  diferente do padro barroco brasileiro. Eu j tinha fotografado em lugares parecidos, como Portugal, mas mesmo assim no enfrentei essa tenso da mesma maneira quando vim fotografar no Brasil. O que me atraiu ao pas foram as transformaes que arquitetura enfrentou por aqui. Depois acabei fazendo uma srie sobre Braslia que  algo completamente diferente.
 
Isto-Certa vez voc afirmou acreditar que a interpretao para o seu trabalho est no olhar do observador. Apesar disso, quais qualidades um lugar deve ter para ser transformado por voc em um registro fotogrfico?
 
Hfer- Essa no  uma pergunta fcil de responder. Descobrir os atrativos de um lugar que me faam querer fotograf-lo tambm  parte do meu trabalho e realmente no pertence ao observador.  difcil precisar o que torna um lugar atraente, porque para mim o ato de fotografar possui dois estgios. O primeiro  a fazer a fotografia do espao. O segundo  produzir a imagem no meu estdio. Existe uma diferena de tempo entre esses dois passos. H tambm uma diferena no envolvimento emocional tambm. Voltar ao momento onde a imagem estava sendo fotografada: escolher o lugar guiado pelos meus interesses culturais. Mas para escolher o exato lugar de onde vou fazer a foto  algo que fao seguindo minha intuio.
 
Isto-Como foi a experincia de fotografar Brasilia? Por que voc escolheu fazer essas imagens em uma escala de tamanho menor do que voc geralmente costuma fazer?
 
Hfer- Como todo mundo que quer visitar o Brasil, eu sempre tive curiosidade de visitar a capital. Escolhi mostrar em um formato menor do que costumo porque os contedos das imagens enfatizam a intimidade dos ambientes que fotografei em Braslia, mas eu tambm fiz algumas imagens em tamanho maior e que no esto na mostra. Para a mostra eu escolhi as imagens menores porque eu queria mostrar esse aspecto da intimidade aos visitantes da exposio.

